Ambiances Magnétiques in Quarta-feira
Ambiances Magnétiques, com distribuição portuguesa pela Au deo, é urna editora independen canadiana, com sede em Montréal, criada em 1983 pelos músicos
Alguns destes músicos são já do conhecimento dos incondicionais da Recomended, através de uma pequena importação de discos em vinilo, chegada há alguns anos ao nosso pais, que incluia, entre outros, trabalhos de André Duchesnes,
O jazz, do tradicional ao free, a música de cãmara europela, a folk do Quebeque, a música de variedades e o cabaré, o ambiental e o bruitismo são algumas das linhas de força que se cruzam para formar a estética (Ambiances Magnétiques) AM.
“As músicas de Amblances Magnétiques fazem uma utilização nova de tudo o que constitui a música comercial, lê-se no manifesto da editora, para a qual, quer sejam sons eléctricos, ritmos, solos ou a arquitectura geral de uma peça, é feita constantemente referéncia a algo que já se ouviu antes”. Isto porque “os seus compositores pertencem a uma geração que experimentou e ouviu todos os géneros de música. A AM funciona como uma espécie de inverso da rádio, ou uma rádio fantástica, na medida em que opera a transfiguração desta, equanto acumuladora e difusora de cultura, da vertente mais intelectual ao “kitsch“. O humor, a ironia e a paródia fazem parte das palavras de ordem da AM. Alguém pronunciou o nome de Frank Zappa
Além dos titulos que, a seguir, recenseamos, não queremos deixar de chamar a atenção para outros que reputamos de qualidade. Estão neste caso Maudite mémoire, de Michel Faubert, derivação pouco ortodoxa da tradição do Quebeque, com sabor contemporãneo, que agradará aos apreciadores de um grupo como os La Bottine Souriante, Des pas et des mois, de Martin Tétreault, oonstrução cortante de “samples”, ruidos, “scratch” e literatura, e Adieu Léonardo, homenagem, em tons neoclássicos, a Leonardo da Vinci, de Robert Marcel-Lepage, segundo coordenadas menos habituais neste intérprete de clarinete e saxofones, amante do “erro musical” e da electrónica analógica. Outros nomes também a partir de agora disponíveis incluem os Évidence, André Duchesnes, Jerry Snell, Genevieve Letarte, René Lussier (reedição do fenomenal Fin du travail) e Les Granules.
Depois de Le barman a tort de sourire e Les fleurs de Léo, L’âme de l’objet é a desconstrução da linearidade narrativa, o surrealismo sonoro atravessado pelos fantasmas de Fellini, de La strada e a “chanson” etilizada dos cabarés de Paris do pós-guerra. Viagem pela inquietação, pelas ruínas do jazz, da pop desolada e da algazarra concretista, recusa panfletária da melodia de compêndio, o objecto pode ser o olho cortado pela lãmina, de Buñuel. A bateria e as “live electronics” de Côté juntam-se aos saxofones, flautas e “pequenos instrumentos” de Jean Derome e aos discos riscados de Martin Tétreault. “Swing” dos danados, enquanto Miles e Omette dormen. Para desarranjar os ouvidos e o espirito.





