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  • Ambiances Magnétiques dans Quarta-feira

    «Ambiances Magnétiques», Fernando Magalhäes, Quarta-feira, 8 janvier 1997
    mercredi 8 janvier 1997 Presse

    Ambiances Magnétiques, com distribuição portuguesa pela Au deo, é urna editora independen canadiana, com sede em Montréal, criada em 1983 pelos músicos Michel F Côté, Jean Derome, André Duchesne, Joane Hétu, Diane Labrosse, Robert Marcel-Lepage, René Lussier e Danielle Palardy Roger —facto que, desde logo, coloca as preocupações artísticas acima dos interesses mercantilistas.

    Alguns destes músicos são já do conhecimento dos incondicionais da Recomended, através de uma pequena importação de discos em vinilo, chegada há alguns anos ao nosso pais, que incluia, entre outros, trabalhos de André Duchesnes, Michel F Côté com o seu grupo Bruire, René Lussier, Robert Marcel-Lepage, Wondeur Brass e Les Poules, estes dois últimos grupos formados por Joane Hétu, Diane Labrosse e Danielle Roger.

    O jazz, do tradicional ao free, a música de cãmara europela, a folk do Quebeque, a música de variedades e o cabaré, o ambiental e o bruitismo são algumas das linhas de força que se cruzam para formar a estética (Ambiances Magnétiques) AM.

    “As músicas de Amblances Magnétiques fazem uma utilização nova de tudo o que constitui a música comercial, lê-se no manifesto da editora, para a qual, quer sejam sons eléctricos, ritmos, solos ou a arquitectura geral de uma peça, é feita constantemente referéncia a algo que já se ouviu antes”. Isto porque “os seus compositores pertencem a uma geração que experimentou e ouviu todos os géneros de música. A AM funciona como uma espécie de inverso da rádio, ou uma rádio fantástica, na medida em que opera a transfiguração desta, equanto acumuladora e difusora de cultura, da vertente mais intelectual ao “kitsch“. O humor, a ironia e a paródia fazem parte das palavras de ordem da AM. Alguém pronunciou o nome de Frank Zappa?

    Além dos titulos que, a seguir, recenseamos, não queremos deixar de chamar a atenção para outros que reputamos de qualidade. Estão neste caso Maudite mémoire, de Michel Faubert, derivação pouco ortodoxa da tradição do Quebeque, com sabor contemporãneo, que agradará aos apreciadores de um grupo como os La Bottine Souriante, Des pas et des mois, de Martin Tétreault, oonstrução cortante de “samples”, ruidos, “scratch” e literatura, e Adieu Léonardo, homenagem, em tons neoclássicos, a Leonardo da Vinci, de Robert Marcel-Lepage, segundo coordenadas menos habituais neste intérprete de clarinete e saxofones, amante do “erro musical” e da electrónica analógica. Outros nomes também a partir de agora disponíveis incluem os Évidence, André Duchesnes, Jerry Snell, Genevieve Letarte, René Lussier (reedição do fenomenal Fin du travail) e Les Granules.

    Depois de Le barman a tort de sourire e Les fleurs de Léo, L’âme de l’objet é a desconstrução da linearidade narrativa, o surrealismo sonoro atravessado pelos fantasmas de Fellini, de La strada e a “chanson” etilizada dos cabarés de Paris do pós-guerra. Viagem pela inquietação, pelas ruínas do jazz, da pop desolada e da algazarra concretista, recusa panfletária da melodia de compêndio, o objecto pode ser o olho cortado pela lãmina, de Buñuel. A bateria e as “live electronics” de Côté juntam-se aos saxofones, flautas e “pequenos instrumentos” de Jean Derome e aos discos riscados de Martin Tétreault. “Swing” dos danados, enquanto Miles e Omette dormen. Para desarranjar os ouvidos e o espirito.

    Face cachée des choses dans Quarta-feira

    «Review», Fernando Magalhäes, Quarta-feira, 8 janvier 1997
    mercredi 8 janvier 1997 Presse

    Diane Labrosse, fazendo jus ao seu nome de caçadora, não hesita em avançar tão longe quanto possivel na experimentação e na sedução do som pelo som. Face cachée des choses, primeiro trabalho em solo absoluto da sua autoria, é uma armação sinfónica para “sampler” e gravações de fita, inventário de ruídos e músicas microscópicas, fommas biológicas e mecãnicas em evolução, etnomistificações, apontamentos de ornitologa, memórias traficadas pela informática. O sentido deste movimento em tomo das sambras sonoras das coisas poderá ser o do acaso e da sua ordem sobrenatural. Música que cura a doença dos Biota, música da música, reveladora do quotidiano como colagem, fomecendo estimulos renovados a cada audição.

    Langages fantastiques dans Quarta-feira

    «Review», Fernando Magalhäes, Quarta-feira, 8 janvier 1997
    mercredi 8 janvier 1997 Presse

    Todas estas “linguagens fentásticas” convergem no álbum do mesmo nome das Justine — Hétu, Labrosse, Danielle Roger e Marie Trudeau —, as quatro desestruturalistas do Apocalypso-bar, numa extensão lógica das Wondeur Brass. Langages fantastiques, segundo álbum do grupo, depois de (Suites), é o intercâmbio jubiloso de sensibilidades em sintonia na Rádio Fantástica. Sessão de frenético “vaudeville” agitado pelo choro lacinante do sax de Hétu. Captado ao vivo em estúdio na sequência de uma digressão pela Europa, Langages Fantastiques sumariza, de forma exemplar, a diversidade de premissas estéticas da Ambiances Magnétiques, uma editora em estado permanente de alerta.

    volume 2: Hourra pour la bastringue, Ambiances Magnétiques dans Décibels

    «La liste d’épicerie», Michel Harvey, Décibels, 5 janvier 1997
    dimanche 5 janvier 1997 Presse

    Pour couronner le tout, pourquoi pas une brochette de musiciens, musiciennes, expérimentateurs, aventuriers de la scène actuelle montréalaise. Je profite de l’occasion pour rendre hommage à ma manière à ces créateurs sur la brèche depuis des années, jamais à court de projets tous plus délirants les uns que les autres. Les compilations sont toujours la meilleure façon d’avoir en un seul enregistrement une panoplie complète de propositions. Pour le Vol. 2 de leur catalogue, Ambiances Magnétiques à regroupé sur ce disque des musiques de Jean Derome, René Lussier, Robert Marcel Lepage, Diane Labrosse, Joane Hétu, André Duchesne et quelques autres. Une expérience franchement imaginative, variée, et à prix modique…

    Une expérience franchement imaginative, variée, et à prix modique…

    Chèvre dans AllMusic

    «Review», François Couture, AllMusic, 1 janvier 1997
    mercredi 1 janvier 1997 Presse

    La vie qui bat was the working title for Montréal guitarist René Lussier’s duo with drummer Pierre Tanguay. La vie qui bat: Chèvre (“The Beating Life: Goat”) was recorded in the studio sometime in 1996 and represents the serious side of the duo (while La vie qui bat: Chevreuil, released simultaneously, illustrates their buffoon side). This CD contains 16 short improvisations (nothing over six minutes), moments of spontaneous creation between two long-time friends and collaborators. Lussier plays acoustic guitar in his very own twisted style that lies somewhere between Fred Frith and Eugene Chadbourne (one piece is even dedicated to the latter). Tanguay is remarkable as much for his drumming as for his ability to hold back. He often limits his playing to cymbals, like on L’Ouïe compense… (“Hearing Compensates”), Trois pattes (“Three Legs”), and La chèvre et son poteau (“The Goat and Its Stake”) where he only provides a quarter-note beat on the hi-hat. The last minute of Tête de cochon shows the two musicians battling for who will get the last word. Ça phosphore su’a tasse and mostly Libre pour compilation (“Free for Compilation” — it actually ended up on the compilation CD Ambiances Magnétiques, Vol. 2: Hourra pour la Bastringue) constitute high-altitude improvs, dense and engaging. More self-absorbed than La vie qui bat: Chevreuil, this album is nevertheless more rewarding, especially for those who usually find Lussier’s antics irritating. Recommended.

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